
o baile da pedra
conto bailado . baile contado
Era uma vez um músico que chegou a uma aldeia que era muito triste.
Aproximou-se de uma casa a assobiar, bateu à porta, e logo disse:
- Bom-dia bom homem! Por acaso não haverá por aqui quem estivesse interessado em ajudar-me a fazer um baile? Sou músico mas infelizmente faz tempo que já não toco nenhum instrumento e já não aguento mais.
- Um baile, que baile? Faz anos que já ninguém ouve música aqui. Vá-se embora, vá-se embora. Aqui ninguém toca música.
Então, o músico apanhou uma pedra que encontrou ali pelo chão, limpou-lhe a terra e começou a bater com ela em vários sítios, a encostá-la ao ouvido, a escavar o seu interior...
- Bem nesse caso vou ter de fazer um baile da pedra.
- Um baile da pedra?
A gente daquela casa e outras pessoas que por ali passavam e que entretanto se tinham juntado à conversa começaram a rir do músico.
- Sim, um baile da pedra, não me digam que nunca fizeram um baile da pedra? Só lhes digo que é uma música muito boa, é impossível não dançar.
Responderam-lhe:
- Sempre queremos ver isso.
Foi o que o músico quis ouvir.
Depois de ter polido a pedra, pediu:
- Se me pudessem emprestar aí um sítio onde pudesse tocar e dançar?
E as pessoas da aldeia levaram-no até ao salão da colectividade.
O músico aí continuou a polir a pedra e a fazer-lhe uns orifícios.
Assim que a pedra começou a produzir os primeiros sons, disse ele:
- Já tem uma boa melodia, mas com o acompanhamento de uma concertina isso é que o baile ficava um primor!
Foram-lhe buscar uma concertina que tinha sido guardada em segredo. Tocou, tocou e a gente pasmada com o que via.
O músico ouvindo os sons da concertina:
- Está um nadinha desamparada. O que aqui precisava era de uma viola ou um cavaquinho para acompanhar.
Também lhe deram o cavaquinho. Outra vez tocou, tocou, experimentou novos acordes e arranjos e disse:
- Agora é que, com uma flauta, ficava que até os anjos se deliciariam com a música.
O dono da mercearia foi à arrecadação e trouxe-lhe uma flauta que tinha por lá guardada. O músico limpou-lhe o pó, soprou a sujidade do interior e tocou. Quando os ouvidos de todos já estavam extasiados, arriscou:
- Ai! um ritmo de um tambor é que lhe dava uma graça!
Trouxeram-lhe um tambor que estava pendurado no museu. Ele pôs-se a tocá-lo, a pular e a dançar com vigor e entusiasmo. A música soava que nem um regalo. Dançou até não poder mais. Depois de descansar um pouco, ficaram os instrumentos todos ali no chão e a pedra meio perdida no meio deles. As pessoas da aldeia que estavam com os olhos e os ouvidos nele, perguntaram-lhe:
- Ò senhor músico, então e a pedra?
- A pedra... lavo-a e levo-a comigo para outra vez.
texto adaptado para conto bailado . baile contado por Gonçalo Oliveira e Marco Luna a partir de conto tradicional português recolhido por Teófilo Braga
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